A Venezuela iniciou uma transformação expressiva em seu sistema de câmbio ao ampliar a oferta formal de dólares ligados ao setor petrolífero, o que resulta em menor pressão sobre a taxa cambial e reduz o uso central de dinheiro em espécie e criptomoedas. Essa mudança representa o maior redirecionamento da economia digital do país nos últimos anos.
Ao longo dos últimos dez anos, as criptomoedas foram uma alternativa fundamental diante do colapso do bolívar. Porém, as novas políticas indicam que sua relevância estrutural pode diminuir à medida que canais formais de moeda se expandem.
O economista Luis Vicente León, presidente da Datanálisis, analisou no X como o fluxo formal do sistema petroleiro reduziu a diferença nas taxas cambiais. Segundo León, esses dólares formais podem eliminar distorções históricas.
Durante anos, as criptomoedas permitiram que milhares de venezuelanos protegessem seus recursos e driblassem controles. Agora, a circulação de dinheiro está restrita ao dólar já em circulação no país, enquanto o caminho informal vinculado ao setor de cripto perde força.
Já o economista Asdrúbal Oliveros destacou que o Estado deixará de vender moedas em espécie ou em cripto, o que afeta fundamentalmente a circulação de moeda. Em sua avaliação, essa decisão vai redefinir a dinâmica do mercado de câmbio.
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Oliveros explicou que a medida interfere na liquidez e nas operações cambiais: os bancos venezuelanos deverão inovar, criando mecanismos como cartões de dólar internos, contas eletrônicas e esquemas de pagamentos cripto para facilitar transferências e investimentos.
Essa mudança conta com precedentes em estratégias bancárias, como a criação de contas de custódia em moeda estrangeira e sistemas de pagamento rápido, implementados em resposta a crises de liquidez. Ainda que as criptomoedas percam destaque central, seguem úteis para proteção privada e no mercado paralelo.
O futuro das criptomoedas na Venezuela passa por um momento decisivo. Se por um lado a adoção respondeu a situações extremas, a consolidação dos canais formais poderá direcionar seu papel a uma função mais convencional. Especialistas consideram que a transição ainda não terminou e permanece uma lacuna no acesso à rede bancária internacional.
A queda recente no valor do USDT no mercado paralelo reflete o novo equilíbrio criado pela elevação do fluxo de petrodólares e pela redução das operações informais em cripto. Assim, a criptomoeda passa de mecanismo essencial a alternativa parcial, dependendo do ingresso futuro de moeda formal.
A sustentabilidade dessa transformação depende do fluxo contínuo de dólares do petróleo. Caso diminua, os venezuelanos podem recorrer novamente às criptomoedas como proteção diante de instabilidades. Por ora, o sistema de câmbio passa pelo maior ajuste em anos.
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