Chanceler alemão afirma apoio à Dinamarca e à Groenlândia e rejeita qualquer ameaça dos EUA sobre território europeuChanceler alemão afirma apoio à Dinamarca e à Groenlândia e rejeita qualquer ameaça dos EUA sobre território europeu

Merz alerta em Davos para mundo guiado pela força das potências

2026/01/22 19:12

O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz (CDU, direita), alertou nesta 5ª feira (22.jan.2026) em Davos que a ordem internacional dos últimos 30 anos está sendo substituída por uma disputa aberta entre grandes potências. Durante o Fórum Econômico Mundial, o líder alemão manifestou apoio à Dinamarca e à Groenlândia diante do objetivo norte-americano de controlar o território groenlandês.

“A guerra da Rússia contra a Ucrânia é só a expressão mais drástica até agora”, afirmou Merz. Para ele, o movimento é mais amplo. “A China, com visão estratégica, avançou para o grupo das grandes potências. A posição global dos Estados Unidos está sendo desafiada, e Washington reage ao redesenhar de forma radical sua política externa e de segurança”, disse.

O chanceler descreveu esse cenário como um mundo “nada confortável”, em que a força volta a ser o principal critério de poder. Ele rejeitou a ideia de fatalismo. “Não precisamos aceitar essa nova realidade como destino. Não estamos à mercê dessa nova ordem mundial. Temos uma escolha. Podemos moldar o futuro”, afirmou.

Merz deu peso moral ao alerta ao lembrar o passado alemão. “Um mundo em que só a força conta é perigoso. Primeiro para Estados pequenos, depois para as potências médias e, por fim, para as grandes. Não digo isso levianamente. No século 20, a Alemanha seguiu esse caminho até o seu fim amargo”, disse, em referência ao colapso do país após o nazismo e a 2ª Guerra Mundial.

Tensão sobre a Groenlândia

Foi nesse contexto que Merz abordou a tensão em torno da Groenlândia, tema que ganhou peso depois das declarações recentes do presidente norte-americano Donald Trump (Partido Republicano) sobre segurança e tarifas. O chanceler declarou apoio explícito a Copenhague e aos groenlandeses. “Nossos vizinhos e parceiros na Europa, incluindo a Dinamarca e o povo da Groenlândia, podem contar com nossa solidariedade. Vamos proteger a Dinamarca, a Groenlândia e o Norte contra a ameaça representada pela Rússia”, afirmou.

Ele defendeu que qualquer diálogo com Washington deve respeitar princípios básicos: “Defendemos negociações entre Dinamarca, Groenlândia e Estados Unidos com base na soberania e na integridade territorial”.

Merz afirmou que discutiu o tema nos últimos dias com Trump, com a primeira-ministra dinamarquesa Mette Frederiksen e com o secretário-geral da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), Mark Rutte. Elogiou o recuo anunciado pelo presidente dos Estados Unidos na noite anterior. “Saúdo as declarações do presidente Trump. Esse é o caminho certo, porque qualquer ameaça de adquirir território europeu pela força seria inaceitável. E novas tarifas também minariam as bases das relações transatlânticas”, disse.

O chanceler lembrou que, na cúpula da Otan em Haia, em junho do ano passado, os aliados europeus decidiram investir centenas de bilhões de euros em defesa. “Agora precisamos reparar a confiança sobre a qual a aliança é construída. Democracias não têm subordinados. Têm aliados, parceiros e amigos confiáveis”, afirmou.

Acordo UE-Mercosul

No plano econômico, Merz vinculou segurança, competitividade e integração europeia. Defendeu que a União Europeia deve ser “a antítese do protecionismo, da proibição tecnológica e das tarifas arbitrárias”. Nesse contexto, celebrou o acordo entre a União Europeia e o Mercosul, assinado no sábado (17.jan) no Paraguai. “As tarifas precisam ser substituídas por regras, e essas regras devem ser respeitadas. Nisso, a UE está avançando”, disse.

Ao encerrar, o chanceler voltou ao eixo político do discurso. “Nosso destino está em nossas mãos. É nossa responsabilidade e nossa liberdade moldá-lo”, afirmou, ao defender que a Alemanha e a Europa assumam papel mais ativo num mundo em que as grandes potências voltaram a disputar influência abertamente.

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