O Fundo Garantidor do Crédito (FGC) deverá fazer uma chamada de capital de cerca de R$ 30 bilhões em “adiantamento de contribuições” para recompor o fundo depoiO Fundo Garantidor do Crédito (FGC) deverá fazer uma chamada de capital de cerca de R$ 30 bilhões em “adiantamento de contribuições” para recompor o fundo depoi

O FGC deve chamar R$ 30 bi. O impacto nos bancos ainda não está claro

2026/01/22 08:39

O Fundo Garantidor do Crédito (FGC) deverá fazer uma chamada de capital de cerca de R$ 30 bilhões em “adiantamento de contribuições” para recompor o fundo depois do buraco aberto com o ressarcimento dos investidores do Banco Master.

É difícil calcular o impacto da chamada de capital para cada banco, especialmente porque não se sabe quanto dos depósitos de cada banco é segurado e quanto não é.

O Itaú Unibanco, por exemplo, tem muitos clientes large corporate e high net worth, que estouram o limite de cobertura do FGC – ou seja, seu share dos depósitos segurados tende a ser menor, apesar de sua escala superlativa.

Já bancos com mais clientes de varejo e de baixa renda, como a Caixa e o BB, têm um maior share dos depósitos segurados.

Há dúvida também se todos os bancos terão que contribuir – ou apenas os bancos do S1, os mais sistemicamente relevantes.  (Uma fonte do FGC disse que todos os bancos terão que contribuir.)

Ainda que o impacto final em cada banco não seja claro, é possível tentar uma aproximação.  O Itaú tem R$ 1 trilhão em depósitos totais, o que equivale a 17% dos depósitos totais e 25% dos depósitos dos bancos S1.

Se a contribuição for sobre o share total (17%), e o capital chamado for R$ 30 bi, isso exigirá um desembolso de R$ 5,1 bilhões do banco dos Setúbal, Villela e Moreira Salles.

Como este capital hoje está aplicado a CDI (15% ao ano), o Itaú perderia um carrego de R$ 770 milhões/ano.

Para o Banco do Brasil (R$ 922 bilhões em depósitos e 15% do share total de depósitos), a conta chegaria a R$ 4,5 bilhões – e o banco perderia um carrego de R$ 675 milhões/ano.

No final do terceiro tri de 2025, o patrimônio do FGC era de R$ 160 bilhões, dos quais R$ 122 bilhões eram caixa disponível para suas atividades. Para ressarcir clientes e investidores do Master – incluindo o Will Bank – o FGC deverá utilizar R$ 47 bilhões, ou 38,5% da sua liquidez. 

A meta do FGC é manter sua liquidez em 2,5% dos saldos das contas cobertas por sua garantia, no conjunto das instituições associadas, com possibilidade de variação entre 2,3% e 2,7%.

Pelas regras de seu estatuto, o FGC pode pedir a  antecipação de 12 a 60 contribuições mensais. 

“A indústria já vem se preparando para essa antecipação no valor de  60 meses porque todos tinham como cenário-base a liquidação do banco,” disse uma fonte. “A discussão atual é em quantas parcelas essa antecipação será feita.” 

Um analista que cobre o setor bancário disse ao Brazil Journal que acha “extremamente improvável” que o FGC ou o regulador exijam uma recomposição imediata dos recursos.

“Deveria ser ao longo do tempo, com aumento de contribuições. Regulador normalmente não ‘resolve’ um problema criando outro.”

Segundo este analista, “tem banco grande que não tem capital para aportar alguns bilhões hoje”, o que seria “mais um motivo para acreditar que essa recomposição será feita de forma diferida ou faseada.”

De acordo com o estatuto, o FGC também pode solicitar uma contribuição extraordinária de até 50% da contribuição ordinária, também prevista no estatuto, mas ainda não há uma definição.

“Deverá ser num valor inferior ao da antecipação de contribuições, mas ainda está em discussão se a cobrança extraordinária será necessária”, disse uma fonte próxima ao FGC. “É um debate que passa por entender qual deve ser o tamanho do Fundo. Ao mesmo tempo que ele perde liquidez por conta dos pagamentos, o maior risco está desaparecendo do mapa.” 

A antecipação das contribuições pode ser anunciada já no mês que vem; a contribuição extraordinária, se necessária, será “mais para a frente”, segundo as fontes. 

O FGC encerrou 2024 com 248 instituições financeiras associadas entre bancos (múltiplos, comerciais, investimento, desenvolvimento), sociedades de crédito, financiamento e investimento;  companhias hipotecárias e associações de poupança, além da Caixa Econômica Federal.  

Esta semana, o FGC começou a fazer pagamentos para os cerca de 800 mil investidores e clientes do Master num montante de R$ 40,6 bilhões. 

O Fundo estima em R$ 6,3 bilhões o ressarcimento dos clientes e investidores do Will Bank – esse valor poderá ser revisado, uma vez que os investidores de Will Bank serão contabilizados como parte do conglomerado Master.

Ou seja, se um investidor tiver um total de R$ 300 mil investidos no Master e no Will, será ressarcido no valor limite de R$ 250 mil definido pelo FGC.

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