Nesta segunda-feira (19), o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, determinou o bloqueio dos bens do empresário e megainvestidor Nelson Tanure, no contexto das investigações sobre fraudes envolvendo o Banco Master. Na PRIO (PRIO3), uma das joias mais valiosas de sua trajetória empresarial, o movimento foi outro: seu filho, Nelson de Queiroz Tanure, decidiu se manifestar publicamente para marcar distância.
A nota, enviada ao Valor Econômico, não menciona o Banco Master, tampouco a decisão judicial. Não precisava. O texto escolhe outro caminho: reafirma uma carreira “totalmente autônoma”, detalha a construção da PRIO desde o investimento inicial, enumera crises superadas, negociações complexas e destaca, com cuidado quase pedagógico, valores como ética, governança e meritocracia.
“Apesar do vínculo familiar, eu, Nelson de Queiroz, construí minha carreira na PRIO de forma totalmente autônoma”, escreveu o executivo. Em outro trecho, faz questão de registrar que “Nelson Tanure, meu pai, não mantém qualquer relação profissional com a companhia”, numa afirmação direta, sem adjetivos, que funciona como linha divisória.
A nota avança ao descrever uma trajetória que começa na gerência, passa pela posição de CEO e culmina na presidência do conselho, sempre, segundo ele, guiada por “ética, harmonia interna, meritocracia, excelência operacional e compromisso com a criação de valor para investidores e para o nosso país”. O tom é o de quem apresenta credenciais — não para o tribunal, mas para o mercado.
É um comunicado que não reage ao fato — contorna-o.
Enquanto a decisão do STF recoloca Nelson Tanure no centro de um noticiário marcado por investigações, bloqueios e estruturas societárias complexas, o filho prefere falar de trajetória, reputação e legado próprio. A nota não rompe com o passado, mas tenta isolá-lo. Não há negação do vínculo familiar, apenas a insistência de que ele não transborda para dentro da companhia.
No mercado, a leitura é menos emocional do que estratégica. Em um ambiente em que governança corporativa deixou de ser discurso e passou a ser critério de avaliação, sobrenomes também entram na conta. Quando o histórico volta às manchetes, o silêncio deixa de ser neutro — e a palavra passa a ser instrumento de contenção de risco.
A ironia é que, ao tentar afastar a PRIO do noticiário judicial que envolve o pai, o comunicado acaba revelando o incômodo que ele já produz. Não é uma nota de crise. É um texto de prevenção.
O sobrenome segue o mesmo. O esforço, agora, é para que o noticiário não siga junto.
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