O início de 2026 está se provando um dos períodos mais voláteis da história recente para os mercados globais. Enquanto a geopolítica mundial é sacudida pela intervenção dos EUA na Venezuela e pela disparada nos preços do petróleo, o mercado de criptomoedas vive um paradoxo institucional fascinante: o Morgan Stanley avança com pedidos de ETFs de Solana, Bitcoin e Ethereum, ao mesmo tempo em que investidores de curto prazo retiram mais de US$ 1,1 bilhão dos fundos já existentes.
Nesta semana, o Morgan Stanley protocolou junto à SEC (Comissão de Valores Mobiliários dos EUA) pedidos para o lançamento de ETFs à vista (spot) de Bitcoin, Ethereum e, notavelmente, Solana. O movimento sinaliza que, para os grandes bancos, a infraestrutura cripto não é mais uma aposta, mas uma necessidade de portfólio. A inclusão da Solana (SOL) no pacote reforça a tese de que a rede se consolidou como a terceira via indispensável para o ecossistema institucional.
No entanto, o entusiasmo do “smart money” de longo prazo contrasta com o nervosismo do mercado. Nos últimos três dias, os ETFs de Bitcoin nos EUA registraram saídas líquidas de US$ 1,13 bilhão. Esse movimento neutralizou os ganhos do início do ano e empurrou o Índice de Medo e Ganância (Fear & Greed Index) para a zona de “Medo” (27 pontos), refletindo uma forte indecisão dos investidores enquanto o BTC oscila na casa dos US$ 91.500.
O pano de fundo para essa volatilidade é puramente geopolítico. A captura de Nicolás Maduro por forças americanas no início de janeiro e a incerteza sobre o controle das maiores reservas de petróleo do mundo na Venezuela enviaram ondas de choque pelos mercados de commodities. O petróleo Brent subiu mais de 4% na semana, fechando acima de US$ 63.
Historicamente, o Bitcoin é visto como um “ouro digital”, mas em momentos de crise geopolítica aguda e intervenções militares, o ativo tende a se comportar inicialmente como um ativo de risco (risk-on), sofrendo com a busca por liquidez imediata em dólar. É exatamente esse o cenário que estamos presenciando: uma “limpeza” de mãos fracas enquanto as instituições preparam o terreno para a próxima pernada de alta.
Enquanto o cenário global ferve, o Brasil continua a se posicionar como um hub de inovação financeira. A B3 anunciou que ampliará o horário de negociação dos futuros de Bitcoin, Ethereum e Solana para até 12 horas diárias a partir de março. A medida visa democratizar o acesso e permitir que investidores locais possam reagir a eventos que ocorrem fora do horário comercial tradicional, reduzindo o risco de “gaps” de abertura em um mercado que nunca dorme.
O mercado agora monitora dois pontos cruciais: a estabilização dos fluxos nos ETFs americanos e os desdobramentos da crise na Venezuela. Se o Bitcoin conseguir sustentar o suporte psicológico dos US$ 90.000 em meio ao caos, a tese de reserva de valor sairá fortalecida. Por outro lado, o exploit recente no protocolo Truebit (TRU), que drenou US$ 26 milhões, serve como um lembrete amargo de que os riscos tecnológicos ainda espreitam contratos legados.
Aviso: Este artigo tem caráter meramente informativo e não constitui recomendação de investimento.


